Caixa de Supermercado

O consumidor brasileiro está mais exigente e faz cotação de preço para comprar tudo que lhe é necessário. Nada mais justo, pois ele ganha o dinheiro e deve decidir onde e como gastá-lo.

Há uma profissão no Brasil, falo no Brasil, porque não sei se é também no resto do mundo (sinto muito pela palavra resto, porque não foi escrita por maldade) que sofreu grandes modificações nos últimos tempos, principalmente no final do último e no início deste milênio. A profissão de que nesta hora falo é a de caixa de supermercado.

Há poucos anos atrás o coitado do caixa e me dou ao direito de chamá-lo assim: coitado, porque era a impressão que se tinha. Uma pessoa chegava, às vezes uma família; os carrinhos lotados até o teto, aquela fila de carrinhos engatados um ao outro e o(a) caixa tinha que digitar o valor de cada mercadoria, uma a uma, e ai dele se digitasse devagar… A fila ia aumentando, aumentando e aquela gentarada logo começava a reclamar e as reclamações se dirigiam todas para a cabeça do “coitado”. Dizem que nossos pensamentos são vibrações possíveis de serem direcionadas e podem também fazer bem ou mal. Se isto é possível, os caixas deviam chegar em casa com uma bruta de uma dor de cabeça, por causa de todos aqueles pensamentos revoltados entrando dentro da cabeça deles.

Após tantos valores digitados pelo caixa, o chefe da família, geralmente analisava os valores registrados em uma tira que podia chegar a metros, louco para encontrar um erro. Se encontrasse, não tinha a menor dúvida, atacava a pobre criatura chamada caixa com “elogios” que minha pobre mente cheia de censuras não permite colocar em uma folha de papel.

Ao término do expediente o caixa tinha de fazer o balanço do movimento diário e fazer bater o caixa. Se no “frigir dos ovos” sobrasse dinheiro no caixa ou batesse certinho, o caixa se sentia aliviado, mas se faltasse… O coitado soltaria o primeiro palavrão vindo à boca e os outros viriam por acréscimo. Além de trabalhar o dia inteiro e agüentar o consumidor impaciente, morria no prejuízo. Tempos idos estes que muitos não querem mais que volte, a não ser os consumidores e caixas masoquistas.

Tudo mudou hoje em dia, com o advento da tecnologia informatizada, criou-se uma tal de barra, formada por vários barradinhos que ao serem passados por um instrumento leitor de códigos, transmitem para uma tela de computador o valor do produto comprado. Tudo isto com grande praticidade. Isto na prática deveria ser o bastante para acabar com as filas no supermercado, mas existem os poréns. Os poréns são alguns consumidores que costumam freqüentar freqüentemente as filas dos supermercados. Podemos citar alguns:

-O louco por cartões – acumula um grande número de cartões. A carteira fica abarrotada, estourando as costuras de tantos cartões. Não leva dinheiro de jeito algum. O consumidor que está atrás dele, inicialmente fica feliz, pois ele geralmente compra em quantidades pequenas, talvez porque goste de freqüentar as filas quase diariamente. Rapidamente o caixa passa todas as mercadorias. Chega a hora de pagar ele diz com toda a tranqüilidade:

-Experimente este cartão para ver se tem crédito?

O caixa atenciosamente passa o cartão na maquininha e solicita:

- Digite a senha por favor.

O indivíduo digita a senha. Aliás este tipo parece adorar digitar senhas. São dezenas de cartões e ele parece lembrar de todas as senhas. Após algum tempo, vem a resposta escrita na maquininha de que o cartão está vazio, sem créditos. Retira outro e diz:

- Este há de ter?

O caixa repete o processo.

- Digite a senha por favor.

Após inúmeras repetições o caso é resolvido. No último cartão havia o crédito necessário. A fila cresceu, mas o antigo próximo da fila já foi embora. Pensando comigo, acho que o principal interesse deste tipo de cliente é mostrar os cartões que tem.

-O Portador de tickets – Este tem tickets de todo tipo e de várias origens. De empresas privadas e públicas. Nem dá para imaginar como ele consegue arranjar tantos tíckets. Hoje em dia também tem tickets em forma de cartões e que utilizam senhas. Arranca um amontoado de tíckets na hora de pagar e é um tal de perguntar se esse ou aquele vale naquele estabelecimento e depois vai somando os valores existentes em cada um dos tickets até chegar ao total da conta. Há como isso leva tempo…Aliás o tempo parece maior para quem espera.

-O louco do kilo certo – Desse existem poucos. Ainda bem! Deus me livre se fossem muitos! Entram na fila do caixa com o carrinho lotado de frutas e legumes. Eu falo destes mercados em que tudo é pesado no caixa. Colocam o produto na balança e exigem do caixa que o peso só dê um kilo, pois é o que podem levar. O caixa retira um tanto e dá menos de um kilo, então vai repondo os legumes, trocando maiores por menores e vice-versa até dar o mais próximo de exatamente um kilo. Pesado aquele, passa para o próximo pacote até o último. Imagine o pensamento dos participantes da fila à espera da vez. Não é difícil.

-O pagador com moedas – Este é mais comum do que se pensa. Ele não demonstra as intenções, deixa todos atrás dele esperançosos de que tudo vai ser rápido e ante o olhar dos enfileirados arranca da bolsa um pacote de moedas e pergunta:

- Quanto deu mesmo? Sem se arriscar a olhar para trás. É claro!

- São 120 reais e cinqüenta e cinco centavos. Responde o caixa.

- Aqui tem cem reais em moedas. Não precisa nem contar.

O caixa não pode confiar, sem correr o risco de morrer com o prejuízo e despeja o conteúdo do pacote sobre o móvel em sua frente e passa a contar moeda por moeda. Há…Como os próximos da fila ficam contentes! Tenho certeza, você já deve ter passado por isso e deve estar louco para passar outra vez.

-O falta alguma coisa – Este tipo está sempre presente nas filas. São velhos conhecidos dos clientes dos supermercados. Chega a sua hora de pagar e você escolhe a menor fila. Se sente o mais esperto de todos. De repente, você olha e cadê o marido da mulher da frente? Foi buscar um produto que faltou. Ele volta e logo falta outro produto. Retorna a buscar. Faz isso várias vezes e o tempo passa. Geralmente este tipo é, também, portador de tickets ou louco por cartões.

-O veloz – Este, geralmente chega com o carrinho cheio. Demora em colocar as compras para serem cobradas. Vai para o outro lado esperar as compras para empacotá-las, mas é tão lento que as compras vão se acumulando até que o caixa também tem de ajudar no empacotamento. Todos olham para ele com o olhar de quem não agüenta mais esperar e ele nem dá bola. Depois de tudo empacotado e colocado no carrinho, ele pega a carteira naquela velocidade habitual dele e faz o pagamento sem se importar com as críticas “maldosas”.

-O portador de folhetos de propaganda – Este pode ser considerado por muitos o consumidor ideal, defensor dos próprios direitos ou aquele que valoriza o dinheiro, procurando pechinchar e economizar o máximo em todos os momentos. Porém até estes muitos podem mudar de idéia se um dia estiverem em uma fila de supermercado, com a pressa natural do paulistano e em sua frente encontrar-se um desses. Sabe aquela hora em que a fila foi caminhando e na sua frente só há mais um cliente. Você já está comemorando. Olhando para o relógio e contando os minutos para ir para casa e de repente ele, o cliente em sua frente, coloca alguns produtos sobre o balcão e retira um folheto de propaganda, confere os preços e mostra-os para mostrar ao caixa que o preço na loja concorrente está menor. Portanto ele só pagará o preço igual ao da propaganda. Então o caixa, acostumado com o tipo, atenciosamente, atende às exigências, inclusive utilizando o concurso do fiscal de caixas para dar o aval. Passados aqueles produtos, o cliente põe outros produtos e retira outro folheto com preços de outra concorrente. Nesta hora o seguinte da fila já está ficando com problema de pressão, mas o que fazer se o cliente postado no caixa está exercendo o seu direito? Para pressionar o folheteiro, o cliente seguinte lota o balcão para fazer pressão. Porém não adianta nada, porque a burocracia nestes casos é digna de serviços do funcionalismo público e é direito do cliente lutar pelos seus direitos. Bom nessa hora, acho que nem dá para imaginar o que o segundo cliente está desejando que o primeiro faça com seus direitos e com aqueles folhetos…

Dica do Antônio Dias de SP

9 Comments

  1. Fernando da Silva Ferreira

    22 de setembro de 2009 at 10:57

    Cara os caixas na Bahia apesar dos códigos de barra continuam lentos como antigamente. Sem sacanagem. Quando estive lá quase morria de ver a velocidade de cagado com que eles passam as mercadorias no leitor.

  2. Realmente.Os avanços tecnológicos dos últimos anos foram mt grandes.
    Do seu templat , gostei demais do passarinho azul no canto da página.Amei.

    Onde achou o html.Pode contar?

  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk’ passarinho azul, onde achou o html!! hsaushuahsuahsuah’ é do twitter beem!

  4. Já experimentaram ir no hiper ou extra aki na Bahia aos sábados e aos domingo…..
    é um inferno as filas só almentam e nada de chegar a sua vez, e pra piorar, quando chega a “SUA VEZ” cai o sistema….. aí jah viu…..

  5. vey pior q eh iss msm
    eu so caixa de super e ca entre nos
    nao ha profissao pior
    e tem os clientes q nao tem troco
    os que fazem barraco por qualquer coisinha
    os que chingam tua familia toda
    u.u”
    tensao

  6. e,demorava muito…

  7. HAHAHA Muito bom o texto!

    Realmente “O falta alguma coisa” é o mais comun e chato cliente de supermercado.

  8. ai não gosto de ler

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